O Direito da família constitui, em todos os planos, um desafio apaixonante. Solidamente assente em dados antropológicos, históricos e comparatísticos, a família atravessa uma fase de voluntarismo legislativo que divide os entendimentos. Cabe impor alguma reflexão. A Ciência do Direito reconhece, na família, um espaço de liberdade e de autodeterminação. As relações dentro dos casais e, destes, com os seus filhos, bem como as relativas a toda a panóplia familiar ocidental, integram a vida íntima de cada um. O Direito intervém, apenas, para marcar princípios e, em caso de necessidade, mormente estando crianças em jogo, para impor condutas mínimas.
O presente XV volume do Tratado de Direito Civil optou por, das bases da família, dar quadros atualizados: antropológicos, históricos e comparatísticos. A construção dos princípios é indeclinável. Seguem-se as fontes, com destaque para o Direito internacional e para o Direito europeu. Como questões controversas, faz-se o ponto da situação quanto aos casamentos do mesmo sexo e à disforia de género. Fixadas estas balizas, serão, no subsequente XVI volume, desenvolvidos os regimes que acompanham as relações familiares.
António Menezes Cordeiro
Doutorado em Ciências Jurídicas.
Professor Catedrático na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.
É também Jurista e Advogado.