Livro Branco das Castas Vitícolas - Criação e avaliação de nova biodiversidade de material vitícola com resistência criptogâmica
Os Livros Brancos são relatórios baseados em evidências que fornecem informação aprofundada sobre um tema, problema ou inovação específicos. Não se trata apenas de trabalhos académicos, mas de documentos práticos, orientados para políticas públicas e para a apresentação de soluções, destinados a informar os leitores, apoiar os decisores e influenciar as partes interessadas nos meios académico, industrial e governamental.Ao atingir esta fase bastante madura final da minha vida, considero que chegou o momento de pensar em transmitir a responsabilidade por uma missão que marcou a minha vida empresarial e científica durante mais de cinco décadas. Atualmente, cerca de 50% do material vitícola certificado utilizado nas plantações resulta de obtenções da JBP-PLANSEL.
Hoje encontramo-nos perante uma verdadeira mudança de paradigma, impulsionada por uma crise profunda no mundo do vinho. Esta crise resulta da conjugação de vários fatores: as alterações climáticas extremas e o seu impacto crescente na viticultura; as campanhas relativas aos riscos associados ao consumo de álcool; a crescente preocupação da sociedade para com a utilização de pesticidas e os seus efeitos na saúde e no ambiente; e, por fim, uma cada vez mais intensa intervenção pública no setor económico.
No setor vitivinícola português existe uma forte persistência na aposta em princípios de orientação retrospetiva. Foi a própria política de seleção das castas elementares que durante muito tempo foi posta em causa; mais tarde, também a seleção sanitária foi questionada, com o argumento de que a eliminação das viroses no processo de propagação conduziria a uma redução da biodiversidade. Hoje esta atitude manifesta-se, sobretudo, por uma falta de atenção com medidas adequadas orientando a manutenção a favor de uma nova biodiversidade de castas selecionado por caracteres funcionais em lugar de manter esta de há 50 anos, até a falta de reconhecer o melhoramentopor introgressão de resistência nas castas
nossas. Na Alemanha, por exemplo, cerca de um terço das novas videiras produzidas já corresponde a material vegetal vitícola resistente. A PLANSEL, em conjunto com a Universidade de Évora e no âmbito de uma cooperação internacional, procurou antecipar esta evolução e evitar que, dentro de poucos anos, Portugal fique dependente da importação de material vitícola adaptado proveniente do estrangeiro.
Com a Diretiva (UE) 2026/1388, na qual as plantas geneticamente melhoradas passam a ser enquadradas em condições das variedades e aos clones tradicionais, a orientação futura parece tornar-se mais clara. Portugal dispõe do conhecimento científico, das instituições e das competências técnicas necessárias para assumir uma posição de liderança na inovação vitícola europeia: menos subsídios nas culturas, um plano nacional da viticultura atualmente inexistente com apoios consequentes e continuado com linhas de I&D definidas, uma coordenação eficaz entre as instituições responsáveis e a fileira profissional, idealmente com supervisão, e uma plataforma nacional de experimentação e ensaio.
Este Livro Branco pretende, assim, ser um catalisador para a concertação das forças progressistas em torno de um plano nacional para a viticultura, capaz de responder aos desafios de um novo ciclo conjuntural e de preparar o setor para o futuro. O desafio associado a esta iniciativa não pretende, assim, ser um acto isolado mas um contributo responsável e activo para a defesa e promoção de uma actividade tão relevante no passado como determinante para o futuro de Portugal.
PREFÁCIO
1 Evolução histórica das castas
2 Mudança de um paradigma
3 Novo paradigma da política pública e científica europeia
4 Status quo do projeto Castas Resistentes
5 Harmonização de posições
6 Consequências do Regulamento 2026/1388
7 Condições para novas perspectivas
ANEXOS
Hans Jörg Böhm
(Jorge Böhm)
Fundador dos Viveiros PLANSEL Lda.
Comendador de Mérito Agrícola 2006
Prémio do melhor livro Portugal Vitícola OiV 2010
Prémio de melhor viticultor (Revista Vinho) 2008
Prémio melhor livro de viticultura OiV 2014
Placa de honra da Universidade de Évora 2013
Medalha de honra da Academia das Ciências de Lisboa 2018
Prémio Sevinate Pinto (Vida Rural) 2023