Em seu novo livro, o teórico catalão Josep Maria Montaner propõe uma revisão da história da arquitetura, desde o Iluminismo até a atualidade, visando repensar, a partir de uma perspectiva contemporânea, os fenômenos e conceitos-chave que marcam sua evolução. Com isso, espera ajudar a criar condições para transformá-los em ferramentas para o futuro da atividade.
Pela ótica de Montaner, em um contexto de crises e mudanças, compreender e enfrentar os desafios atuais da arquitetura passa por uma visão ecologista, multicultural e da diversidade das experiências humanas, além de um olhar para territórios periféricos da tradição arquitetônica, como o Sul Global, e por perceber como esses novos paradigmas têm contribuído para um reposicionamento da teoria e da prática da atividade. Se, por exemplo, as raízes machistas da ordem clássica se referiam exclusivamen¬te ao corpo do homem, o que perdurou por séculos, passa-se gradual¬mente a aceitar a vida, a diversidade, a imprevisibilidade e a igualdade de gênero. Da mesma forma, da primazia da razão — produtiva, cartesiana, simplificadora e unificadora —, passou-se a uma razão aberta, criativa e diversificada. E da consolidação do conceito de história como síntese da evolução do patriarcado e de sua condição de sacrifício, dominação e violência, passou-se ao conceito darwiniano e vitalista de evolução e, mais recentemente, ao de memória coletiva, compartilhada, viva e ativista.
Na primeira parte, Josep Maria Montaner revê a construção da história moderna para evidenciar como muitos dos problemas atuais estão relacionados às exigências éticas e às possibilidades tecnológicas que surgiram com a Revolução Industrial, assim como aos conflitos sociais e culturais enfrentados ao longo do século XIX; na segunda parte, expõe alguns temas da teoria da arquitetura contemporânea para renomeá-los com base em sua relação com a cultura, a sociedade, a tecnologia e os meios de difusão; por fim, a terceira parte concentra-se em questões metodológicas atuais sobre o estado da teoria e da crítica contemporâneas da arquitetura e seus desafios diante dos novos contextos e narrativas emergentes, com especial atenção aos feminismos e ao ecologismo.
Josep Maria Montaner (1954) é doutor em arquitetura e catedrático do Departamento de Composição da Escola Tècnica Superior d’Arquitectura de Barcelona (ETSAB-UPC), onde tem codirigido o programa de mestrado Laboratório da Moradia do Século XXI. Montaner já foi professor convidado em diversas universidades da Europa, América e Ásia e é autor de inúmeros artigos e publicações, entre os quais se destacam Sistemas arquitetônicos contemporâneos (2015), A modernidade superada (2011), Arquitetura e política (2014, com Zaida Muxí), Arquitetura e crítica (2014), Del diagrama a las experiencias, hacia una arquitectura de la acción (2014) e A condição contemporânea da arquitetura (2015), todos publicados pela Gustavo Gili. Colaborador habitual de revistas de arquitetura e dos jornais espanhóis El País e La Vanguardia, em junho de 2015 foi nomeado conselheiro de habitação e do distrito de Sant Martí na Prefeitura de Barcelona.