Peter Schjeldahl, crítico de arte da revista The New Yorker, é aclamado como um dos maiores de sua geração, finalista do Prêmio Pritzker.
Aclamado como um dos maiores críticos de arte de sua geração, Peter Schjeldahl fez uma revelação chocante em dezembro de 2019, ao publicar um inédito ensaio autobiográfico na The New Yorker. Ele tornou público que tinha um câncer de pulmão e seu oncologista lhe havia dado seis meses de vida. Um tratamento experimental, entretanto, mostrava algum sucesso. “Estes meses extras”, escreveu, “são um luxo que espero aproveitar bem.” E aproveitou. O livro "A Arte de Morrer" começa com esse ensaio comovente e reúne todos os 46 textos que ele escreveu para a revista desde então até sua morte, em outubro de 2022.
A pauta desses últimos ensaios vai de clássicos como Velázquez – autor da obra favorita de Peter, à qual foi fazer uma última visita no período – e o modernista Paul Cézanne – que considerava supervalorizado – a nomes da arte contemporânea como Jasper Johns – cujo gesto "deu fim à arte moderna" – e Gerhard Richter, com suas revelações sombrias. Passa também pela revisão de conceitos, comentários sobre museus e avaliações de feiras de arte.
Um ensaio sobre Edward Hopper demonstra o estilo afiado e acessível com que Peter conecta arte e realidade. Ele ressalta a independência absoluta de Hopper e o impacto de uma obra em que o cidadão livre do sonho americano se degenera, tornando-se "ape¬nas mais um entre milhões que vagam por um continente desprovido de conforto". Ele conclui: "É possível jurar lealdade patriótica a um vazio? Hopper de¬monstra como, ao explorar uma condição na qual nós pertencemos ao grupo justamente por estarmos separados. Você não precisa gostar da ideia, mas, uma vez que experimenta verdadeiramente a arte desse pin-tor, ela se torna tão impossível de ignorar quanto uma pedra no sapato."
Os textos de A arte de morrer expressam percepções maduras de Schjeldahl sobre a arte e a vida em meio a um período intensamente conturbado, que incluiu a pandemia, os protestos após a morte de George Floyd, as eleições presidenciais de 2020 nos Estados Unidos e o início da guerra na Ucrânia. Sua produção nesses tempos turbulentos e reflexivos – tanto no plano global quanto no pessoal – é marcada pela generosidade com que desvenda aos leitores o mundo da arte.
Peter Schjeldahl foi crítico de arte da revista The New Yorker por mais de duas décadas, até sua morte em 2022, aos oitenta anos. Ele ingressou na revista como redator, após ter trabalhado como crítico de arte no The Village Voice de 1990 a 1998. Escreveu também para veículos como The New York Times, Times Magazine, Vogue e Vanity Fair. É autor de quatro livros e, pela excelência de seu trabalho, foi finalista do prêmio Pritzker e foi premiado com a Bolsa Guggenheim, pelo Instituto de Arte Sterling e Francine Clark, pela College Art Association e pela Academia Americana de Artes e Letras.